1984, uma leitura atemporal.

Uma sociedade governada por um Estado supremo (onisciente, onipresente e onipotente), que consegue oprimir aqueles que divergem de suas ordens e penetrar em suas mentes. Esse é o cenário do livro 1984 (Companhia das Letras, 2009, 416 páginas), escrito por Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell. Um clássico moderno da literatura que se valeu da ficção para abordar com maestria temas importantes para a história, como a ascensão dos regimes totalitários.

No fictício ano de 1984, o mundo está dividido em três grandes estados: a Eurásia, a Lestásia e a Oceania. No livro, vamos acompanhar a vida de Winston Smith, que vive em Londres, território da Oceania. O poder político se manifesta através de um único Partido, que trabalha incessantemente para conseguir controlar todos os seus cidadãos, o que faz privando-os de sua liberdade. A figura emblemática que representa a falta de privacidade a que todos estavam sujeitos é o Grande Irmão, o líder do Partido, e sua frase: “Big Brother is watching you”, lembrando à população que o Partido estava sempre vigiando suas vidas.

O Estado é o detentor absoluto dos meios de comunicação, que trabalham sempre a seu favor. A população vive cercada de todos os tipos de propaganda com informações manipuladas; as cidades são cheias de cartazes impressos com a figura do Grande Irmão, que parece ganhar vida toda vez que alguém cruza o olhar com o dele; e até os membros do Partido são obrigados a se reunir no local de trabalho para assistir, diariamente, às propagandas televisivas exaltando as conquistas da Oceania nas guerras.

Mais um exemplo dessa situação pode ser percebido no trabalho que o protagonista do romance realiza. Winston trabalha no Ministério da Verdade (há mais quatro Ministérios: Ministério do Amor, Ministério da Fartura e Ministério da Paz), e sua função é exatamente a oposta do que o nome indica. Ele é responsável por modificar qualquer informação que não condiz com a realidade criada pelo partido no presente. A história é alterada e a Oceania está e sempre estará certa.

Até uma nova língua é criada. A novilíngua funciona como uma versão rudimentar do idioma utilizado anteriormente, o inglês. Ou seja, ao invés de incorporar novas palavras e expressões, ela exclui algumas que já existiam; no parecer do Partido, elas não condizem com a sua ideologia. Por meio dessa dominação pela língua, se a pessoa não pode se referir à determinada situação/objeto é porque ela/ele não existe.

Novas tecnologias da comunicação foram criadas, tais como a teletela. Elas estão presentes em todas as casas e estabelecimentos e além de servirem para transmitir as propagandas do Partido, também atuam como câmeras, capazes de filmar o que se passa na residência de cada morador. Com isso, os cidadãos ficam confinados dentro de suas próprias casas, observados pelos olhos do Grande Irmão.

Cena do filme 1984.

Cena do filme 1984.

 Os meios de comunicação e a opressão

George Orwell escreveu o livro em 1948, em meio a períodos de guerra e regimes totalitários exercendo o poder em alguns países da Europa. Como em seu livro anterior, Revolução dos bichos (Companhia das letras, 2007, 156 páginas), o autor retoma a discussão, por meio da obra de ficção, sobre o poder sem limites que o Estado é capaz de exercer sobre uma sociedade. Para esta finalidade, Orwell utilizou os meios de comunicação como mecanismos que auxiliam no controle da população. As propagandas são utilizadas de forma massiva, com o objetivo de penetrar de forma intensa na mente das pessoas; as informações são alteradas de alguma forma e a população vive cercada por uma realidade completamente inventada.

Os meios de comunicação devem ser utilizados de forma responsável por pessoas que se importem com o interesse da sociedade em geral. Deve-se levar ao debate assuntos de interesse público e de relevância para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. É preciso que nos questionemos sempre sobre o que é veiculado na mídia e busquemos nos informar a partir de diversas fontes. Só com o nosso próprio interesse em conhecer a verdade é possível deixar o mundo em boas mãos.

*

1984, o livro, é uma obra de ficção. Mas está claro que os caminhos delineados por George Orwell tomaram contornos mais definidos. Um exemplo atual é a revelação de que os Estados Unidos da América estão muito mais por dentro da vida dos seus cidadãos – e até de outros países – do que deveriam. E não podemos esquecer os conglomerados da mídia e as alianças políticas, exemplos encontrados no nosso próprio país.

Neste texto foi abordada a participação dos meios de comunicação na engrenagem totalitária que toma conta da fictícia Oceania, mas o livro ainda nos mostra muito mais.

1984 é uma leitura atemporal.

O livro ganhou duas adaptações cinematográficas: a primeira, em 1956, e a outra, em 1984. Você pode assistir à última versão gratuitamente clicando aqui.

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