As perdas de julho – Ariano Suassuna.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O terceiro e último post você pode conferir abaixo.

Ariano Vilar Suassuna

Imagem: informeipiau.com.br

Nascido na cidade de Nossa Senhora das Neves – hoje, João Pessoa -, na Paraíba, em 16 de junho de 1927. Durante os seus primeiro anos de vida, morou na fazenda Acahuan, no sertão. Na Revolução de 30, seu pai, o ex-governador do estado, João Suassuna, foi assassinado por motivos políticos. Depois desse triste episódio, se mudou com a família para Taperoá, no interior, onde iniciou os estudos.

Em 1938, Ariano foi para Recife, em Pernambuco. Deu continuidade aos estudos, passando por colégios consagrados do estado, como o Colégio Americano Batista, o Ginásio Pernambucano e o Colégio Oswaldo Cruz. Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito de Recife, onde fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco.

Aos 20 anos, em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. No ano seguinte, escreveu Cantam as harpas de Sião, montada pela companhia que fundou. Em 1950, veio a peça Auto de João da Cruz, que ganhou o Prêmio Martins Pena. Neste mesmo ano, Suassuna concluiu sua formação superior em direito.

Em 1955, veio o seu grande sucesso, O Auto da Compadecida. Nessa comédia, dividida em três atos, que tem como cenário a região nordestina, o autor incorporou elementos da literatura de cordel e a mistura da cultura popular com a tradição religiosa. O sucesso foi tanto que, posteriormente, a peça foi adaptada para a televisão (1999) e o cinema (2000).

No ano seguinte, se tornou professor de estética na Universidade Federal de Pernambuco e abandonou de vez sua carreira de advogado. Seguiu trabalhando com o teatro. Em 1957, teve duas peças encenadas: O Casamento Suspeitoso e O Santo e a Porca; no ano seguinte, mais duas: O Homem da Vaca e Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, que ganhou prêmio 10 anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro. Neste mesmo ano, fundou, em parceria com Hemilio Borba Filho, o Teatro Popular do Nordeste, com o objetivo de investir na qualidade das produções teatrais da região.

Era membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 32; da Academia Pernambucana de Letras, com a cadeira de número 18; e da Academia Paraibana de Letras, com a cadeira de número 35. Aposentou-se da carreira de professor em 1994, e viajou pelo Brasil dando suas famosas aulas-espetáculos.

 Ariano Suassuna faleceu no dia 23 de julho de 2014, aos 87 anos, em decorrência de um AVC hemorrágico.

Imagem: noticias.universia.com.br

As perdas de julho – Rubem Alves.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O segundo post você pode conferir abaixo.

Rubem Azevedo Alves

Fonte: joseneres.blogspot.com

Fonte: joseneres.blogspot.com

Mineiro, natural da cidade de Boa Esperança, nasceu em 15 de setembro de 1933. Em 1945, se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade aos estudos. Recém chegado e com forte sotaque do sul de Minas, Rubem Alves sofria gozações por parte dos colegas de classe e se transformou em um garoto solitário e sem amigos.

Na religião, encontrou conforto para a sua solidão. Em São Paulo, estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas, de 1953 a 1957. Foi bem sucedido e se tornou pastor em 1958, quando foi transferido para Lavras, no seu estado natal, exercendo essa função até 1963. Um ano depois, se casou e teve três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel.

Mudou-se para Nova York, nos EUA, para fazer mestrado em Teologia na Union Theological Seminary, durante um ano. Em 1968, já no Brasil, foi acusado de “subversivo” por sua Igreja e começou a sofrer perseguições políticas. Voltou ao exterior, dessa vez com a família, e obteve seu título de Ph.D. em filosofia pelo Princeton Theological Seminary. Sua tese de doutorado, “A Teologia da Esperança Humana”, foi considerada por ele próprio o embrião do movimento teológico denominado Teologia da Libertação.

De volta ao Brasil, deixou a Igreja Presbiteriana e dedicou-se à vida de professor. Deu aulas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (Fafi) – atual UNESP – e depois, em 1974, foi transferido para a Universidade de Campinas (SP), onde firmou sua carreira. Formou-se em psicanálise em 1984 e clinicou durante 20 anos.

Suas obras abordam as temáticas religiosa (O Enigma da Religião; O que é Religião?), teológica (Da Esperança; Creio na Ressurreição do corpo) e filosófica e educacional (A alegria de ensinar; Por uma educação romântica; Filosofia da Ciência). Também escreveu literatura infantil (A pipa e a flor; A volta do pássaro encantado) e crônicas.

Rubem Alves era membro da Academia Campinense de Letras e cidadão-honorário da cidade, que lhe presenteou com a medalha Carlos Gomes, pela sua contribuição à cultura. Ele morreu no dia 19 de julho de 2014 devido à falência múltipla de órgãos.

As perdas de julho – João Ubaldo Ribeiro.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O primeiro post você pode conferir abaixo.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro

Fonte: onordeste.com

Baiano, nascido na Ilha de Itaparica, no dia 23 de janeiro de 1941. João Ubaldo Ribeiro passou a infância em Aracaju, Sergipe, com os pais e os dois irmãos mais novos, Sonia Maria e Manoel. Filho de pai professor, logo foi alfabetizado e começou os estudos. Em 1948, ingressou no Instituto Ipiranga e, desde então, estudou com afinco para ser sempre o primeiro de sua classe. Lia bastante e passava muitas horas na biblioteca de sua casa.

Em 1951, entrou no Colégio Estadual de Sergipe. Durante esse período, seu pai, que era chefe da Polícia Militar, começou a sofrer perseguições políticas, e toda a família teve que se mudar para Salvador. Dando continuidade aos estudos, começou a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia, em 1957. No ano seguinte, João Ubaldo Ribeiro se matriculou no curso de direito da Universidade da Bahia.

O primeiro romance só veio em 1968, Setembro não faz sentido. A partir daí, sua carreira deslanchou. Escreveu mais mais nove romances, entre eles os aclamados Sargento Getúlio, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Revelação de autor, em 1972, e Viva o povo brasileiro, na categoria Melhor Romance, em 1984. Também escreveu contos, crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil.

Em 2008, ganhou um dos maiores prêmios literários do mundo, o Prêmio Camões, dado a escritores que tenham contribuído com o enriquecimento da língua e cultura portuguesas.

João Ubaldo Ribeiro ocupava a cadeira de número 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele faleceu no dia 18 de julho deste ano, aos 73 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar. Deixou esposa e quatro filhos.