As vantagens de (não) ser invisível.

Enquanto adolescente, muitas vezes procurei na literatura a compreensão dos conflitos que me afligiam. Foram necessárias várias buscas nas estantes das livrarias para saciar o meu desejo. Não era tão fácil como hoje ter acesso a informações sobre livros.

Já na juventude, não desisti de encontrar leituras capazes de apresentar (o que eu considerava) o real entendimento do que é ter 15, 16 e 17 anos (acredito que as idades podem variar de pessoa para pessoa). A partir das novidades do mercado editorial e com informações sobre obras publicadas anteriormente, fiz minhas apostas literárias.

Uma delas foi As vantagens de ser invisível, do escritor Stephen Chbosky. Conheci o livro por meio do filme, que estreou em 2012, formado por um elenco maravilhoso composto por Logan Lerman (Saga Percy Jackson), Emma Watson (Saga Harry Potter) e Ezra Miller (Precisamos falar sobre Kevin). Não assisti o filme nos cinemas, porque gostaria de ler o livro antes – o que só aconteceu este ano. E posso dizer que foi uma bela experiência! (:

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Charlie é um garoto de 15 anos que está prestes a começar o ensino médio. Atormentado pela morte precoce do seu melhor e único amigo, Michael, que se suicidou, ele passa por alguns episódios depressivos enquanto tenta se adaptar à realidade que o cerca. Cheio de dúvidas em relação à vida e a como vivê-la, o menino se volta para a reflexão e acaba não interagindo com o mundo ao seu redor. A história muda no dia em que ele conhece Sam e Patrick, dois veteranos que o ensinarão a ser não mais o figurante, mas o protagonista de sua própria vida.

O livro é composto de cartas enviadas por Charlie a um desconhecido, como forma de desabafo para todas as suas reflexões. Eu adoro esse formato, acho que aproxima ainda mais os personagens e os leitores. Foi o que eu senti lendo as correspondências, e creio que todo leitor vai se sentir o próprio destinatário misterioso. Além disso, é preciso ser capaz de escrever dessa forma – não é um simples contar os acontecimentos do dia. Stephen Chbosky demonstrou ter muito talento para tal.

A história se passa nos anos 1990, mas é possível se reconhecer nas mesmas situações dos personagens. Elas cruzam os nossos caminhos em algum momento da adolescência. Entre tantas, destaco algumas: a escolha da Universidade, amor e sexo, bebidas alcoólicas e drogas, homossexualidade etc. O autor se valeu das próprias experiências para escrever o livro, e por isso as discussões sobre os temas mencionados acima são tão francas e características da imaturidade dos jovens.

SSS

O livro é cheio de referências musicais (The Smiths, The Beatles, Procol Harum, David Bowie, Nirvana etc.), literárias (To Kill a Mockingbird, The Catcher in the RyeOn the Road, The Stranger etc.) e cinematográficas (The Graduate, Harold & Maude, Dead Poets Society etc.). Eu fiz uma lista com tudo isso, para poder escutar, ler e assistir depois!

O filme ficou ótimo, e foi adaptado e dirigido pelo próprio Stephen Chbosky. A atuação do trio principal (Logan como Charlie, Ezra como Patrick e Emma como Sam) foi surpreendente, rendendo uma boa química entre os três. O filme alternou entre divertido e triste, apreensivo e delicado, e recebeu críticas positivas não só no Brasil, como no mundo todo. A trilha sonora também merece ser destacada.

Uma história honesta sobre o que é ser jovem, viver primeiras experiências e aceitar os desafios de participar (da vida). Charlie é o próprio Chbosky, mas pode ser, também, qualquer um de nós. A leitura é indicada para qualquer faixa etária. Afinal, seja jovem ou velho, o que todos nós buscamos é a capacidade de nos sentirmos infinitos.

Sobre Stephen Chbosky:

Além de escritor, é roteirista e diretor de cinema. Ficou conhecido pelo livro As vantagens de ser invisível, lançado em 1999 e que demorou 5 anos para ficar pronto. Natural de Pittsburgh, Pensilvânia, EUA.

Quem é você, John Green?

O primeiro livro.

As últimas palavras.

Um grande sucesso.

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Conheci o John Green como a maioria das pessoas conheceu, por meio do livro A culpa é das estrelas. Um falatório tão grande tomou conta da internet (das redes sociais, especificamente) por causa desse novo fenômeno literário, que desejei ardentemente tê-lo em mãos. Quando finalmente o recebi, comecei a leitura no mesmo dia.

O livro é lindo, devo dizer. A história da Hazel Grace e do Augustus Waters é de fazer até o bruto do meu pai rir e chorar, ao mesmo tempo; ela cheira à juventude, a descobertas que só a adolescência permite que conheçamos. E os nossos queridos protagonistas passaram por tudo isso de uma forma especial, transformando o pequeno infinito deles em uma bela história de amor, que marcou os corações do leitores.

Por mais que eu tenha adorado a leitura, senti que aquele ainda não era o meu livro (não me joguem tomates, por favor!). Apenas não me comoveu da forma como achei que faria. John Green teria que me ganhar de outra maneira, e claro que daria outra chance a ele.

Foi por acaso, zapeando por blogs literários, que vi uma resenha do livro Quem é você, Alasca? e, embora nada fora do normal tenha acontecido, senti que aquele livro faria com que eu me apaixonasse de verdade!

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Quem é você, Alasca?

Miles Halter é um adolescente comum com um interesse peculiar: últimas palavras. Ele adora ler biografias de pessoas célebres para descobrir o que elas disseram pouco antes de morrer. Ao ler as últimas palavras do poeta François Rabelais “Saio em um busca de um Grande Talvez”, ele decide mudar a sua vida e sair em busca do seu Grande Talvez. Deixa a Flórida e parte rumo ao Alabama para estudar na Escola Culver Creek, onde ele conhecerá Alasca Young, a garota que vai transformar a sua vida para sempre.

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John Green, assim como em TFIOS, escreve com franqueza sobre a juventude. O ambiente escolar, os primeiros anos do ensino médio, os amores e amizades, as dúvidas e os anseios que nos perturbam durante esse período.

Miles vai enfrentar tudo isso na companhia de sua nova turma – Coronel, Alasca, Takumi e Lara. Na amizade, ele encontrará forças para fazer coisas que jamais imaginou fazer, terá muitas primeiras vezes, aprenderá sobre a importância que os amigos têm em nossas vidas e, o mais importante de tudo, vai descobrir o amor.

Ao conhecer Alasca Young, Miles rapidamente se perde no labirinto de seus olhos verdes. Ela é uma menina misteriosa, impulsiva, divertida, sensual e inteligente, completamente diferente dele. Adora ler e tem uma biblioteca gigante de livros comprados em sebos. É tão interessante quanto aparenta ser.

Às vezes, Alasca fala sobre coisas que Miles não conhece e o faz viajar por mil e um pensamentos sobre a vida e o seu significado. Ela instiga o melhor que ele pode ser. Outras vezes, quando ele pensa que a conhece, Alasca se transforma em um pessoa completamente diferente. Ela é uma verdadeira incógnita para ele, mas Miles quer desvendar esse mistério.

Alasca é a chave do Grande Talvez da vida de Miles e quem vai conduzir toda a história – que é dividida em antes e depois.

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Quem é você, Alasca? entrou para a minha lista de livros preferidos. É uma história honesta de como as pessoas podem afetar nossas vidas de uma forma que não pensamos ser possível. É um história jovem que reflete a nossa necessidade de buscar algo a mais na vida.

Lançado em 2005, e só publicado no Brasil em 2010, Quem é você, Alasca? foi o primeiro romance de John Green. O livro foi o vencedor do prêmio Michael L. Printz de 2006 e figurou como o número 1 dos mais vendidos da lista do The New York Times por 385 semanas.