Sobre uma leitura extraordinária!

Hoje, uma convidada muito especial vai inaugurar sua participação no blog. Minha querida amiga, Karina Lan’Arc!

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Quando fui convidada pela Amanda para escrever um post para o is2books, não tive dúvida sobre qual livro escreveria. Em 2014, Extraordinário se tornou um dos meus livros favoritos e, inclusive, tornei-me “garota propaganda” dele, indicando-o para todo o mundo, rs. Tive a oportunidade de conhecê-lo quando fui à Turnê Intrínseca, que ocorreu no primeiro semestre deste ano, em Belém. Durante o evento, foi exibido o book trailer do livro – mas ainda não foi aí que ele me chamou a atenção, até porque eu pensei que ele era voltado para o público infantil.

Pouco depois, surgiu uma promoção no site da Saraiva, e o preço desse livro estava muito acessível. A Amanda me fez comprá-lo (obrigada por insistir!) e aceitei adquiri-lo. Pronto. Livro comprado. Ganhou um lugarzinho na estante, mas levei algumas semanas até tomar coragem e lê-lo. Porém, não se passaram muitas páginas até eu começar a amar aquele garotinho “estranho” de 10 anos de idade.

August Pullman (ou Auggie, para os mais intímos) nasceu com uma síndrome genética, a qual o deixou com sequelas por causa das diversas cirurgias e complicações médicas decorrentes da doença. Por isso, Auggie nunca pôde ir à escola. Só que os pais do menino tomaram uma decisão muito difícil: ele teria que começar a frequentar o colégio, pois havia passado para o quinto ano e a mãe já não poderia ensiná-lo com eficiência. Uma novidade muito difícil, já que August não tinha um rosto muito comum e as pessoas que o viam, principalmente as crianças, ficavam espantadas com tamanha diferença.

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Depois de alguma resistência, August, num ato de coragem, decidiu que iria para a escola. A partir desse momento, inicia a missão nada fácil de tentar mostrar aos colegas que, mesmo com uma aparência estranha, ele é um menino igual aos outros. O livro, então, passa a nos dar motivos para acreditar que ainda há esperança para um mundo intolerante com as diferenças individuas, como é o nosso, ao nos ensinar a utilizar a gentileza, a compaixão e amor.

E o mais legal de tudo é que a narrativa do livro não se dá apenas da perspectiva do August, mas, também, dos pais, da irmã e dos colegas do garoto. Até o modo de escrever de cada um é lembrado pela autora. Nem temos tempo de julgá-los por seus atos, porque podemos conhecer o que cada um pensa sobre as diferenças de Auggie. Aliás, “julgar” é um verbo que a escritora R.J. Palacio nos ajudar a banir do nosso vocabulário quando lemos Extraordinário.

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O livro ainda é interessante para quem gosta de Star Wars. August é fissurado na saga. Eu só conheço o Darth Vader, então, para entender algumas citações, tive de recorrer ao Google, mas nada que prejudicasse a mim ou a outro leitor que não conhece Star Wars de captar a real lição que a história quer transmitir.

Durante a leitura do livro, as emoções também se alteram. São momentos de apreensão, raiva, tristeza, mas a alegria de Auggie e de alguns personagens nos fazem rir e chorar de emoção. Acima de tudo isso, o que ganha mesmo o leitor é o modo como August consegue vencer toda a desconfiança das pessoas ao redor, mostrando-nos que, todos nós temos diferenças, sejam elas pequenas ou imensas, como a do menino, mas tudo pode ser tolerado com a gentileza.

Com uma linguagem simples, R.J Palacio nos conquista com o seu August e pode-se dizer que, realmente, o livro faz jus ao título porque é Extraordinário!

Amor à primeira vista – Eleanor & Park.

Todo leitor gosta de “dar uma passadinha” na livraria sempre que possível. Nessas situações, é possível que ele se apaixone à primeira vista por um livro. Foi exatamente o que aconteceu comigo quando eu pus os meus olhos em um exemplar de Eleanor & Park.

Uma garota com volumosa cabeleira ruiva e um garoto com fios lisos e pretos compartilham o mesmo cabo para seus fones de ouvido. Eles estão lado a lado, mas não se olham. E estão de costas para o público. Parecem concentrados no que quer que estejam escutando. Tal imagem evocou em mim um sentimento de solidão, e foi o que bastou para eu imaginar a história desses dois personagens e querer muito conhecê-la.

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Na verdade, outros elementos também contribuíram para conseguir minha atenção – as cores, as fontes utilizadas -, tudo muito delicado.

Quando peguei o exemplar, vi que o livro já era best-seller do New York Times e, também, que o John Green havia feito um comentário positivo sobre ele, o que me fez querer lê-lo ainda mais! Na parte de trás, vários outros comentários de também escritores e jornais/outros tipos de publicações elogiando a autora e o romance.

Munida do meu exemplar (obrigada por me dar o livro de presente, Karina!), parti para a leitura.

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Agosto de 1986.

Eleanor e Park moram na mesma vizinhança e estudam na mesma escola. Ela é recém-chegada em ambos os lugares e ainda não tem amigos. Ele é descendente de coreanos, gosta de ler HQs e escutar um bom e velho rock n’ roll. Os dois sentam lado a lado no ônibus escolar, mas não demonstram nenhuma inclinação para falar um com o outro. Park acha que a “garota ruiva” é esquisita (assim como a maioria dos seus colegas de turma, que a hostilizam), e Eleanor acha que o “mestiço” pode ser um idiota.

Os dias passam enquanto Eleanor e Park se evitam, apesar de sentarem juntos todas as manhãs de aula. Certo dia, entretanto, quando Park está lendo uma revista em quadrinhos (Watchmen), Eleanor começa a ler junto com ele. Ela olha – disfarçadamente – para as páginas ilustradas e se interessa pela história, e só para de ler quando chegam ao colégio. Tal ato não passa despercebido ao seu companheiro de banco, que não se incomoda com a situação. E, a partir daí, a amizade entre os dois jovens começa.

Entre empréstimos de HQs e fitas cassetes, Eleanor e Park constroem uma sólida amizade e acabam por descobrir novos sentimentos neles mesmos: é quando o primeiro amor acontece! No entanto, os dois vão enfrentar situações extremamente desafiadoras – tanto as intromissões de pessoas próximas a eles quanto aquelas relacionadas aos seus próprios medos – para ficarem juntos.

O livro intercala os pontos de vistas de um e de outro por meio de capítulos – que são curtos, em sua maioria, e não nos cansam – e subcapítulos. Dessa maneira, os leitores conseguem entender quais os anseios e temores dos protagonistas.

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A demora para que Eleanor e Park se falem pode parecer um ponto negativo da narrativa, mas não é. Enquanto a primeira conversa não acontece, conhecemos um pouco de suas vidas, o que é parte importante da história – principalmente no que toca à Eleanor.

[Ela mora com um padrasto violento, uma mãe covarde frente aos abusos que o marido comete e quatro irmãos mais novos. Seu pai biológico não lhe dá atenção e ela sofre bullyng na escola, tanto por causa das roupas que usa quanto por sua aparência física. Park, por sua vez, tem uma vida confortável e família estruturada. Mora com os pais e o irmão mais novo em uma boa casa. Não chega a ser popular na escola, mas é alguém sociável.]

Eleanor e Park vão encontrar um no outro a força que precisam para enfrentar a vida. É um amor puro e verdadeiro (como só o amor juvenil pode ser). Ela vai ensiná-lo que sempre se deve ser você mesmo, não importa o que os outros achem (Park, às vezes, sente vergonha do modo como a Eleanor se veste); ele vai ensiná-la que é possível amar e receber amor em troca (Eleanor, às vezes, é insegura em relação ao seu corpo e à sua aparência física). É emocionante ver essa relação amadurecendo!

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Não posso deixar de falar que o romance tem trilha sonora própria. No livro, os personagens fazem referências a várias bandas de rock, como The Smiths (How soon is now?/This charming man), Joy Division (Love will tear us apart), U2, The Cure, The Beatles etc. A autora, Rainbow Rowell, disponibilizou no seu site as playlists com todas as músicas que fazem parte do livro. Clique aqui para acessá-las.

A leitura é leve e apaixonante, e me fez voltar no tempo e lembrar das muitas coisas que vivi (e não vivi) quando adolescente. Demorei um pouco para escrever sobre esse livro porque ele me emocionou bastante, não só por causa da relação entre a Eleanor e o Park e o primeiro amor deles, mas também pelo sofrimento que cada um desses personagens foi capaz de aguentar dentro de si mesmos.

Eleanor encontrou o Park, e isso pode tê-la salvado. Do quê? Só lendo o livro para saber. Mas posso dizer que, transitando entre a luz e a escuridão, esse romance transformou não só a vida dos seus protagonistas, mas igualmente a dos seus leitores.

Sobre Rainbow Rowell:

Escritora americana de temática jovem-adulta. Seu livro Eleanor & Park ganhou o Best Adult Young Fiction 2013, do Goodreads. Também escreveu Fangirl, Attachments e Landline. Vive em Nebraska (EUA) com o marido e os filhos.

P.s.: E, se preparem, porque Eleanor & Park vai virar filme! Os direitos de adptação cinematográfica foram comprados pela DreamWorks Studio e as filmagens estão previstas para começar em 2015. Ansiosidade mode on!