Amor à primeira vista – Eleanor & Park.

Todo leitor gosta de “dar uma passadinha” na livraria sempre que possível. Nessas situações, é possível que ele se apaixone à primeira vista por um livro. Foi exatamente o que aconteceu comigo quando eu pus os meus olhos em um exemplar de Eleanor & Park.

Uma garota com volumosa cabeleira ruiva e um garoto com fios lisos e pretos compartilham o mesmo cabo para seus fones de ouvido. Eles estão lado a lado, mas não se olham. E estão de costas para o público. Parecem concentrados no que quer que estejam escutando. Tal imagem evocou em mim um sentimento de solidão, e foi o que bastou para eu imaginar a história desses dois personagens e querer muito conhecê-la.

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Na verdade, outros elementos também contribuíram para conseguir minha atenção – as cores, as fontes utilizadas -, tudo muito delicado.

Quando peguei o exemplar, vi que o livro já era best-seller do New York Times e, também, que o John Green havia feito um comentário positivo sobre ele, o que me fez querer lê-lo ainda mais! Na parte de trás, vários outros comentários de também escritores e jornais/outros tipos de publicações elogiando a autora e o romance.

Munida do meu exemplar (obrigada por me dar o livro de presente, Karina!), parti para a leitura.

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Agosto de 1986.

Eleanor e Park moram na mesma vizinhança e estudam na mesma escola. Ela é recém-chegada em ambos os lugares e ainda não tem amigos. Ele é descendente de coreanos, gosta de ler HQs e escutar um bom e velho rock n’ roll. Os dois sentam lado a lado no ônibus escolar, mas não demonstram nenhuma inclinação para falar um com o outro. Park acha que a “garota ruiva” é esquisita (assim como a maioria dos seus colegas de turma, que a hostilizam), e Eleanor acha que o “mestiço” pode ser um idiota.

Os dias passam enquanto Eleanor e Park se evitam, apesar de sentarem juntos todas as manhãs de aula. Certo dia, entretanto, quando Park está lendo uma revista em quadrinhos (Watchmen), Eleanor começa a ler junto com ele. Ela olha – disfarçadamente – para as páginas ilustradas e se interessa pela história, e só para de ler quando chegam ao colégio. Tal ato não passa despercebido ao seu companheiro de banco, que não se incomoda com a situação. E, a partir daí, a amizade entre os dois jovens começa.

Entre empréstimos de HQs e fitas cassetes, Eleanor e Park constroem uma sólida amizade e acabam por descobrir novos sentimentos neles mesmos: é quando o primeiro amor acontece! No entanto, os dois vão enfrentar situações extremamente desafiadoras – tanto as intromissões de pessoas próximas a eles quanto aquelas relacionadas aos seus próprios medos – para ficarem juntos.

O livro intercala os pontos de vistas de um e de outro por meio de capítulos – que são curtos, em sua maioria, e não nos cansam – e subcapítulos. Dessa maneira, os leitores conseguem entender quais os anseios e temores dos protagonistas.

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A demora para que Eleanor e Park se falem pode parecer um ponto negativo da narrativa, mas não é. Enquanto a primeira conversa não acontece, conhecemos um pouco de suas vidas, o que é parte importante da história – principalmente no que toca à Eleanor.

[Ela mora com um padrasto violento, uma mãe covarde frente aos abusos que o marido comete e quatro irmãos mais novos. Seu pai biológico não lhe dá atenção e ela sofre bullyng na escola, tanto por causa das roupas que usa quanto por sua aparência física. Park, por sua vez, tem uma vida confortável e família estruturada. Mora com os pais e o irmão mais novo em uma boa casa. Não chega a ser popular na escola, mas é alguém sociável.]

Eleanor e Park vão encontrar um no outro a força que precisam para enfrentar a vida. É um amor puro e verdadeiro (como só o amor juvenil pode ser). Ela vai ensiná-lo que sempre se deve ser você mesmo, não importa o que os outros achem (Park, às vezes, sente vergonha do modo como a Eleanor se veste); ele vai ensiná-la que é possível amar e receber amor em troca (Eleanor, às vezes, é insegura em relação ao seu corpo e à sua aparência física). É emocionante ver essa relação amadurecendo!

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Não posso deixar de falar que o romance tem trilha sonora própria. No livro, os personagens fazem referências a várias bandas de rock, como The Smiths (How soon is now?/This charming man), Joy Division (Love will tear us apart), U2, The Cure, The Beatles etc. A autora, Rainbow Rowell, disponibilizou no seu site as playlists com todas as músicas que fazem parte do livro. Clique aqui para acessá-las.

A leitura é leve e apaixonante, e me fez voltar no tempo e lembrar das muitas coisas que vivi (e não vivi) quando adolescente. Demorei um pouco para escrever sobre esse livro porque ele me emocionou bastante, não só por causa da relação entre a Eleanor e o Park e o primeiro amor deles, mas também pelo sofrimento que cada um desses personagens foi capaz de aguentar dentro de si mesmos.

Eleanor encontrou o Park, e isso pode tê-la salvado. Do quê? Só lendo o livro para saber. Mas posso dizer que, transitando entre a luz e a escuridão, esse romance transformou não só a vida dos seus protagonistas, mas igualmente a dos seus leitores.

Sobre Rainbow Rowell:

Escritora americana de temática jovem-adulta. Seu livro Eleanor & Park ganhou o Best Adult Young Fiction 2013, do Goodreads. Também escreveu Fangirl, Attachments e Landline. Vive em Nebraska (EUA) com o marido e os filhos.

P.s.: E, se preparem, porque Eleanor & Park vai virar filme! Os direitos de adptação cinematográfica foram comprados pela DreamWorks Studio e as filmagens estão previstas para começar em 2015. Ansiosidade mode on!

O mundo pós-apocalíptico de Jeff Lemire – Sweet Tooth.

A temática pós-apocalíptica não fazia parte do meu acervo literário até que um amigo me indicou a série Sweet Tooth, do canadense Jeff Lemire. Iniciante no mundo dos quadrinhos, segui a dica e fui me aventurar em terreno desconhecido.

O fato é que fui positivamente surpreendida. O primeiro encadernando da série lançado no Brasil, que contém as edições de 1 a 5, foi o suficiente para me convencer da originalidade da história. Ao assinar roteiro e arte, Lemire fez um trabalho excelente que recebeu muitas críticas positivas e prêmios importantes. E aí, quer conhecer essa história?

Por dentro de…

Sweet Tooth – Depois do Apocalipse, vol. 1: Saindo da mata.

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No mundo assolado por um flagelo em forma de incêndio que matou bilhões de pessoas, Gus e seu pai vivem reclusos no meio de uma floresta. Isso porque o garoto é um híbrido, espécie que mescla características humanas com animais e é perseguida por ser apontada como a possível cura para o mal que devastou a Terra.

Ao morrer, o pai de Gus faz o filho prometer que jamais sairá da cabana em que moravam. No entanto, quando caçadores encontram o esconderijo do garoto, e ele é salvo por um homem desconhecido, a promessa é quebrada. Jepperd, o misterioso salvador de Gus, promete levá-lo à Reserva, local que reúne todas as crianças híbridas já encontradas.

No caminho até a desconhecida Reserva, a paisagem é a pior possível. Cidades abandonadas e corpos espalhados pelo chão revelam ao pequeno Gus um mundo que ele não imaginava existir. O menino e Jepperd ainda precisam enfrentar grandes desafios, como os caçadores de híbridos, para chegar ao destino final.

Se Jepperd cumpre a promessa e leva Gus ao local prometido ou se o garoto foi só uma vítima desse homem misterioso, eu não vou contar, é claro!

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Apesar de não evoluir muito com a trama, o autor consegue prender a nossa atenção. A leitura segue seu próprio ritmo e eu terminei o encadernado em pouco tempo.

Gus tem um grande coração. É impossível não se emocionar com a inocência dele no decorrer da história, ao descobrir que o mundo atual não é um lugar tão bom e que as pessoas podem ser muito más. Sozinho e sem família, ele deposita todas as suas esperanças em um lugar que acredita ser a salvação para a sua espécie e no homem que apareceu em sua vida dizendo poder salvá-lo.

Preview, vol. 1.

Preview, vol. 1.

No Brasil, o último encadernado foi lançado no mês passado.

E aí, vocês se interessaram por esse mundo pós-apocalíptico?

Sobre Jeff Lemire:

Quadrinista e escritor canadense. Entre suas obras mais conhecidas estão: The Complete Essex County, The Nobody, e o recente Sweet Tooth. Com 37 anos, já foi indicado duas vezes ao Prêmio Eisner e vencedor de outros prêmios nos anos de 2005 e 2008. Atualmente vive em Toronto (Canadá) com sua esposa e filho.

O Anexo Secreto:

Por dentro do esconderijo de Anne Frank.

“Ao longo de todo o tempo em que aqui estive, ansiei inconscientemente – e por vezes conscientemente – por confiança, amor e afeição física. Este anseio pode variar em intensidade, mas está sempre presente.” – Anne Frank.

Conhecendo a história – Em meados de julho de 1942, na Holanda ocupada pelo Nazismo, a Família Frank decidiu abandonar sua casa e grande parte de seus pertences para fugir do mundo. Como judeus, eles eram o principal alvo de Adolph Hitler, que pregava o antissemitismo como princípio fundamental do Partido Nazista. No caminho para o esconderijo em que passariam cerca de dois anos, nenhum deles fazia ideia da transformação que suas vidas sofreriam.

Pouco tempo depois, o número de refugiados aumentos. Ao todo, oito pessoas dividiram-se nos escassos cômodos do anexo secreto, esconderijo localizado no prédio em que trabalhava Otto Frank, marido de Edith e pai de Margot e Anne Frank. Com a ajuda de amigos, eles conseguiram comprar alimentos e outros itens indispensáveis para a sobrevivência de todos.

Foi assim até 04 de agosto de 1944, quando policiais holandeses e um membro da SS (Schutzstaffel – A Polícia Nazista) invadiram o anexo secreto e levaram presos os oito judeus escondidos. Eles foram separados e enviados para diferentes campos de concentração. Quando finalmente a guerra havia acabado, e os judeus libertados, só Otto Frank estava vivo.

Família Frank. Da esq. para a dir.: Margot, Otto, Anne e Edith. Fonte: questgarden.com

Família Frank. Da esq. para a dir.: Margot, Otto, Anne e Edith. Fonte: questgarden.com

Anne e o diário – Toda a história está registrada no Diário de Anne Frank, que a acompanhou durante mais de dois anos (12 de junho de 1942 a 1º de agosto de 1944). Nele, a garota descreveu como eram seus dias no esconderijo: as brigas constantes, os conflitos familiares e o medo dividiam espaço com o bom humor e a esperança de um futuro melhor nas páginas do caderno.

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Fonte: homoliteratus.com

O diário foi deixado no esconderijo quando os moradores foram capturados. Uma das amigas das famílias o encontrou e, quando a morte de Anne foi confirmada (a jovem morreu no campo de concentração Bergen-Belsen, aos 15 anos), o entregou a Otto Frank. Tempos depois, ele decidiu pela publicação dos escritos, o que era um desejo da filha. Junto com sua segunda esposa, Otto fundou a Anne Frank Fonds (AFF), em 1963, na Basileia, Suíça. A Fundação é responsável por promover trabalhos de caridade em homenagem a Anne e por disseminar as suas palavras a todos os povos.

O livro é considerado um dos relatos mais importantes sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial/Nazismo (os manuscritos de Anne fazem parte do Programa Memória do Mundo da UNESCO) e já vendeu cerca de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

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Anne Frank Museum – É possível adentrar os espaços que foram ocupados pela Família Frank e seus companheiros de esconderijo. O Museu Anne Frank foi fundado no dia 03 de maio de 1960, em Amsterdã, por iniciativa de Otto Frank. A construção quase foi demolida, mas o pai de Anne conseguiu impedir a ação. Ele criou o Instituto Anne Frank, uma Organização não governamental (ONG) cujo objetivo é conter o antissemitismo que existe ao redor do mundo, além de incentivar o retorno dos judeus às suas origens, à Terra de Israel. Seguindo a premissa do Instituto, o esconderijo deveria se tornar um espaço público afim de permitir a comunicação entre diferentes culturas e religiões.

Atualmente, o lugar é parada obrigatória para os turistas que viajam à Holanda. Lá dentro, você pode observar como os cômodos eram divididos: o quarto que Anne compartilhava com outro morador, a mesa em que estudava e escrevia em seu diário, o quarto de seus pais e de sua irmã, a sala em que, todos juntos, escutavam o rádio e muito mais.

A experiência em 3D – Para aqueles que não podem viajar à Holanda, o Museu Anne Frank disponibiliza um site que permite a visita virtual ao anexo secreto. Na experiência em 3D, você pode andar pelo prédio, escolher onde parar e observar os móveis e objetos que estão lá desde o período da Segunda Guerra.

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Clique na imagem para ir direto ao site.

Conta, ainda, com informações sobre a casa e histórias de seus moradores, gravações em áudio que, acompanhadas de trilha sonora, guiam os visitantes por entre os cômodos e até a locais cuja visita não é permitida no museu físico. É uma experiência incrível para aqueles que se emocionaram com a história de Anne Frank e gostariam de conhecer melhor o ambiente que a acolheu durante anos difíceis.

Aproveitem!

Hello, Dexter Morgan!

O serial killer mais idolatrado do planeta continua firme e forte nas páginas dos livros.

Depois da series finale de Dexter, os fãs da série ficaram órfãos. Foram oito temporadas acompanhando o serial killer mais querido do planeta a cometer crime atrás de crime por trás de seu passageiro das trevas (alter ego do personagem). A história do analista forense da cidade de Miami que, à noite, tinha o hábito de procurar vítimas para seu vício insaciável de matança teve aceitação incrível logo no seu início. Foi uma das séries mais assistidas do canal Showtime (inclusive, o último episódio registrou 2,8 milhões de telespectadores, um recorde para a emissora).

Quem não se lembra da abertura?!

Devo dizer que o final da série foi um alívio. Dexter tomou um rumo totalmente contraditório a partir da 5a. temporada e foi sofrível ver uma produção que começou tão bem se perder em um caminho sem volta. Desde a inserção de personagens fracos até o desvio de foco que o personagem principal sofreu contribuíram para a queda da série.

Apesar disso, sou e sempre serei fã da série. Dos roteiros à fotografia, as primeiras quatro temporadas de Dexter foram totalmente incríveis e valeu a pena cada minuto assistido. O que Michael C. Hall fez com o papel foi fantástico, e olha que eu ainda nem tinha lido os livros da série para fazer a comparação. Não foi à toa que ele ganhou vários prêmios pelo papel, incluindo um Globo de Ouro e um SAG Award.

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Fonte: darklydexter.com

Fonte: darklydexter.com

Depois que Dexter acabou, resolvi ler os livros na esperança de que a história continuasse tão interessante quanto os primórdios da série.

Dexter, a mão esquerda de Deus é o primeiro volume da coletânea de livros e o que inspirou a série. O enredo é basicamente o mesmo. Somos apresentados ao Dexter Morgan, um analista forense da polícia de Miami que, em algumas noites, deixa o Passageiro das Trevas que vive dentro dele assumir o controle. Sob o Código de Harry (seu pai já falecido), o serial killer mata apenas outro assassinos e faz uso dos mais variados métodos para realizar o que ele considera um ritual.

Apenas nesses momentos Dexter é livre para ser ele mesmo e passa o resto dos dias fingindo ser uma pessoa que não é – ou melhor, fingindo ser uma pessoa. Ele se considera uma criatura diferente e superior aos humanos (raça que despreza). Desprovido de sentimentos, suas relações com os outros é baseada no mais puro fingimento, inclusive com sua namorada, Rita, mais uma personagem na vida teatral de Dexter. Apenas Debra, sua irmã, e os filhos de Rita, Astor e Cody (por incrível que pareça!), parecem ser capazes de despertar alguma empatia em Dexter.

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O livro é hilário! De cada dez frases, nove são do Dexter Sarcástico destilando, com humor ácido, suas críticas ao comportamento humano. Essas características aparecem mais fortes aqui do que na série, na minha opinião. O ato do assassinato mostra-se mais relaxante do que propriamente metódico. Dexter parece mais livre e menos tenso, se divertindo como uma criança em um parque de diversões.

Os livros tomam um rumo completamente diferente da série. Não vou fazer um resumo de cada um deles (até porque ainda estou no quarto), mas o Passageiro das Trevas assume uma posição bem mais importante nas obras literárias. Dexter adentra o seu universo interior e o místico (3o. livro, Dexter no escuro) se junta aos traumas pelos quais ele passou na infância (1o. livro) afim de explicar, afinal, no que ele se transformou. Além disso, nosso querido serial killer vai conhecer outras criaturas como ele, que o ajudarão a desvendar o seu próprio mistério.

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Para quem é fã da série, para quem nunca assistiu, para qualquer um… Recomendo os livros! Vocês vão se divertir, se assustar e, o mais importante de tudo, conhecer um dos personagens mais enigmáticos e adoravelmente macabros da história da literatura de suspense.

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Atualmente, a série de livros Dexter está em seu sétimo volume, Dexter em cena, publicado ano passado.

Have a killer day, everybody!

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Sobre Jeff Lindsay:

Jeffry P. Freundlich é o seu nome verdadeiro. Nasceu em 14 julho de 1952, em Miami, Flórida. É casado com Hilary Hemigway (sobrinha do famoso escritor norte americano Ernest Hemingway), sua parceira de autoria em alguns romances anteriores à Dexter.

Quem é você, John Green?

O primeiro livro.

As últimas palavras.

Um grande sucesso.

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Conheci o John Green como a maioria das pessoas conheceu, por meio do livro A culpa é das estrelas. Um falatório tão grande tomou conta da internet (das redes sociais, especificamente) por causa desse novo fenômeno literário, que desejei ardentemente tê-lo em mãos. Quando finalmente o recebi, comecei a leitura no mesmo dia.

O livro é lindo, devo dizer. A história da Hazel Grace e do Augustus Waters é de fazer até o bruto do meu pai rir e chorar, ao mesmo tempo; ela cheira à juventude, a descobertas que só a adolescência permite que conheçamos. E os nossos queridos protagonistas passaram por tudo isso de uma forma especial, transformando o pequeno infinito deles em uma bela história de amor, que marcou os corações do leitores.

Por mais que eu tenha adorado a leitura, senti que aquele ainda não era o meu livro (não me joguem tomates, por favor!). Apenas não me comoveu da forma como achei que faria. John Green teria que me ganhar de outra maneira, e claro que daria outra chance a ele.

Foi por acaso, zapeando por blogs literários, que vi uma resenha do livro Quem é você, Alasca? e, embora nada fora do normal tenha acontecido, senti que aquele livro faria com que eu me apaixonasse de verdade!

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Quem é você, Alasca?

Miles Halter é um adolescente comum com um interesse peculiar: últimas palavras. Ele adora ler biografias de pessoas célebres para descobrir o que elas disseram pouco antes de morrer. Ao ler as últimas palavras do poeta François Rabelais “Saio em um busca de um Grande Talvez”, ele decide mudar a sua vida e sair em busca do seu Grande Talvez. Deixa a Flórida e parte rumo ao Alabama para estudar na Escola Culver Creek, onde ele conhecerá Alasca Young, a garota que vai transformar a sua vida para sempre.

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John Green, assim como em TFIOS, escreve com franqueza sobre a juventude. O ambiente escolar, os primeiros anos do ensino médio, os amores e amizades, as dúvidas e os anseios que nos perturbam durante esse período.

Miles vai enfrentar tudo isso na companhia de sua nova turma – Coronel, Alasca, Takumi e Lara. Na amizade, ele encontrará forças para fazer coisas que jamais imaginou fazer, terá muitas primeiras vezes, aprenderá sobre a importância que os amigos têm em nossas vidas e, o mais importante de tudo, vai descobrir o amor.

Ao conhecer Alasca Young, Miles rapidamente se perde no labirinto de seus olhos verdes. Ela é uma menina misteriosa, impulsiva, divertida, sensual e inteligente, completamente diferente dele. Adora ler e tem uma biblioteca gigante de livros comprados em sebos. É tão interessante quanto aparenta ser.

Às vezes, Alasca fala sobre coisas que Miles não conhece e o faz viajar por mil e um pensamentos sobre a vida e o seu significado. Ela instiga o melhor que ele pode ser. Outras vezes, quando ele pensa que a conhece, Alasca se transforma em um pessoa completamente diferente. Ela é uma verdadeira incógnita para ele, mas Miles quer desvendar esse mistério.

Alasca é a chave do Grande Talvez da vida de Miles e quem vai conduzir toda a história – que é dividida em antes e depois.

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Quem é você, Alasca? entrou para a minha lista de livros preferidos. É uma história honesta de como as pessoas podem afetar nossas vidas de uma forma que não pensamos ser possível. É um história jovem que reflete a nossa necessidade de buscar algo a mais na vida.

Lançado em 2005, e só publicado no Brasil em 2010, Quem é você, Alasca? foi o primeiro romance de John Green. O livro foi o vencedor do prêmio Michael L. Printz de 2006 e figurou como o número 1 dos mais vendidos da lista do The New York Times por 385 semanas.

O post de boas-vindas!

Só quem é leitor conhece a sensação de, quando terminar um livro, querer muito falar sobre ele. Infelizmente, nem todo o universo compartilha da nossa necessidade e temos de nos contentar com fóruns de discussão na internet, grupos no facebook etc. Mas, em algum momento, o leitor terá de se libertar de algumas amarras criadas por ele próprio e enfrentar o mundo com suas próprias palavras: eis que surgem os blogs! Ah, a plataforma virtual… Com ela, nossas palavras ganham asas e vão explorar e conhecer novos universos – sim, universos, porque cada pessoa é um universo, com suas próprias ideias e atitudes. Às vezes, as palavras voltam mudadas, outras vezes, mais fortes do que nunca. É importante saber reconhecer quando estamos errados, assim como assumirmos nossa posição quando nos consideramos os certos. Espero que, cada vez mais, as pessoas busquem se fazer reconhecidas no mundo, transformando em ações as ideias engavetadas desde muito tempo atrás.

Bem-vindo, leitor!