Diários de Tolstoy disponíveis online!

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Leo Tolstoy lendo a sua correspondência.

 

Os diários pessoais do renomado escritor russo Leo Tolstoy estão disponíveis gratuitamente na internet, marcando o seu 186º aniversário.

“Os diários nunca tinham sido publicados separadamente. Eles estavam incluídos nas obras completas – emitidas em noventa volumes, com circulação limitada. Portanto, nem todo mundo tem ideia do que os diários de Tolstoy são. E eles são ótimos. Um fluxo contínuo de reflexões sobre o mundo e as pessoas. O principal tópico, no entanto, é Deus, a quem Tolstoy tentava compreender”, Pavel Basinskiy, membro do Prêmio de Literatura “Yasnaya Polyana”, escritor e teórico literário, contou ao Jornal Izvestia.

A ideia de publicar os trabalhos do grande escritor na internet pertence à sua bisneta, Fyokla Tolstaya, que dirige o departamento de desenvolvimento do Museu Estadual Leo Tolstoy.

“Quando eu discuti o projeto com os meus amigos, muitos deles disseram: ‘É uma ótima ideia, você tem que se certificar de que ninguém vai roubá-la de você.’ Mas o meu principal objetivo é diferente: Você pode pegar o que gostar e imprimir. Eu acho que Leo Nikolayevich [Tolstoy] aprovaria o que estamos fazendo e apoiaria a distribuição gratuita dos seus trabalhos. A sua atividade editorial e recusa em aceitar taxas prova isso,” Tolstaya disse ao [jornal] Vedomosti no último mês de junho.

Leo Tolstoy manteve os seus diários por 64 anos: a primeira anotação foi aos 18 anos e a última, quatro dias antes de morrer. No total, 31 cadernos foram encontrados e estão sendo digitalizados. Além disso, 55 pocket-books, que contém pensamentos do autor que ele expandiu posteriormente, também serão disponibilizados.

A publicação dos diários faz parte do projeto “All Tolstoy in One Click” (Tolstoy em um clique), anunciado pelo Museu Estadual Leo Tolstoy em parceria com a ABBYY (empresa de softwares com sede em Moscou) no verão de 2013. A coleção volumosa de obras do escritor inclui ficções, diários, cartas e artigos, assim como textos religiosos e filosóficos, 46 mil páginas no total – todas atualmente sendo digitalizadas por voluntários. Todos os textos estarão legalmente disponíveis no website tolstoy.ru, de forma gratuita, tanto para leitura online quanto para download em dispositivos móveis. Até agora, 54 volumes estão disponíveis para download.

Texto original.

Tradução e adaptação: Amanda de Oliveira.

Sobre uma leitura extraordinária!

Hoje, uma convidada muito especial vai inaugurar sua participação no blog. Minha querida amiga, Karina Lan’Arc!

*

Quando fui convidada pela Amanda para escrever um post para o is2books, não tive dúvida sobre qual livro escreveria. Em 2014, Extraordinário se tornou um dos meus livros favoritos e, inclusive, tornei-me “garota propaganda” dele, indicando-o para todo o mundo, rs. Tive a oportunidade de conhecê-lo quando fui à Turnê Intrínseca, que ocorreu no primeiro semestre deste ano, em Belém. Durante o evento, foi exibido o book trailer do livro – mas ainda não foi aí que ele me chamou a atenção, até porque eu pensei que ele era voltado para o público infantil.

Pouco depois, surgiu uma promoção no site da Saraiva, e o preço desse livro estava muito acessível. A Amanda me fez comprá-lo (obrigada por insistir!) e aceitei adquiri-lo. Pronto. Livro comprado. Ganhou um lugarzinho na estante, mas levei algumas semanas até tomar coragem e lê-lo. Porém, não se passaram muitas páginas até eu começar a amar aquele garotinho “estranho” de 10 anos de idade.

August Pullman (ou Auggie, para os mais intímos) nasceu com uma síndrome genética, a qual o deixou com sequelas por causa das diversas cirurgias e complicações médicas decorrentes da doença. Por isso, Auggie nunca pôde ir à escola. Só que os pais do menino tomaram uma decisão muito difícil: ele teria que começar a frequentar o colégio, pois havia passado para o quinto ano e a mãe já não poderia ensiná-lo com eficiência. Uma novidade muito difícil, já que August não tinha um rosto muito comum e as pessoas que o viam, principalmente as crianças, ficavam espantadas com tamanha diferença.

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Depois de alguma resistência, August, num ato de coragem, decidiu que iria para a escola. A partir desse momento, inicia a missão nada fácil de tentar mostrar aos colegas que, mesmo com uma aparência estranha, ele é um menino igual aos outros. O livro, então, passa a nos dar motivos para acreditar que ainda há esperança para um mundo intolerante com as diferenças individuas, como é o nosso, ao nos ensinar a utilizar a gentileza, a compaixão e amor.

E o mais legal de tudo é que a narrativa do livro não se dá apenas da perspectiva do August, mas, também, dos pais, da irmã e dos colegas do garoto. Até o modo de escrever de cada um é lembrado pela autora. Nem temos tempo de julgá-los por seus atos, porque podemos conhecer o que cada um pensa sobre as diferenças de Auggie. Aliás, “julgar” é um verbo que a escritora R.J. Palacio nos ajudar a banir do nosso vocabulário quando lemos Extraordinário.

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O livro ainda é interessante para quem gosta de Star Wars. August é fissurado na saga. Eu só conheço o Darth Vader, então, para entender algumas citações, tive de recorrer ao Google, mas nada que prejudicasse a mim ou a outro leitor que não conhece Star Wars de captar a real lição que a história quer transmitir.

Durante a leitura do livro, as emoções também se alteram. São momentos de apreensão, raiva, tristeza, mas a alegria de Auggie e de alguns personagens nos fazem rir e chorar de emoção. Acima de tudo isso, o que ganha mesmo o leitor é o modo como August consegue vencer toda a desconfiança das pessoas ao redor, mostrando-nos que, todos nós temos diferenças, sejam elas pequenas ou imensas, como a do menino, mas tudo pode ser tolerado com a gentileza.

Com uma linguagem simples, R.J Palacio nos conquista com o seu August e pode-se dizer que, realmente, o livro faz jus ao título porque é Extraordinário!

Flor amarela, de Ivan Junqueira.

Inauguro a Hora da Poesia com um dos trabalhos do poeta Ivan Junqueira, que faleceu em julho deste ano.

*

Atrás daquela montanha

tem uma flor amarela;

dentro da flor amarela,

o menino que você era.

Porém, se atrás daquela

montanha não houver

a tal flor amarela,

o importante é acreditar

que atrás de outra montanha

tenha uma flor amarela

com o menino que você era

guardado dentro dela.

(Ivan Junqueira, in: Flor Amarela).

 *

Sobre o autor:

Imagem: tirodeletra.com.br

Imagem: tirodeletra.com.br

Ivan Junqueira nasceu no Rio de Janeiro em 03 de novembro de 1934. Após desistir das faculdades de Medicina e Filosofia, se tornou jornalista e firmou sua carreira trabalhando em importantes jornais brasileiros, como o Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo. Realizou inúmeros trabalhos como crítico literário e ensaísta. Colaborou com os principais jornais e revistas brasileiros e, também, com publicações especializadas nacionais e internacionais. Seus trabalhos poéticos foram amplamente traduzidos e premiados: “A sagração dos ossos” (1994) e “O outro lado” (2007) ganharam o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, e “Poesia Reunida” foi finalista em 2006. O premiado autor também traduziu livros de T. S Eliot e Marguerite Yourcenar.

Ivan Junqueira ocupava a cadeira de número 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele faleceu no dia 03 de julho de 2014, aos 79 anos, em decorrência de insuficiência respiratória.

Informações: Academia Brasileira de Letras (ABL).

1984, uma leitura atemporal.

Uma sociedade governada por um Estado supremo (onisciente, onipresente e onipotente), que consegue oprimir aqueles que divergem de suas ordens e penetrar em suas mentes. Esse é o cenário do livro 1984 (Companhia das Letras, 2009, 416 páginas), escrito por Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell. Um clássico moderno da literatura que se valeu da ficção para abordar com maestria temas importantes para a história, como a ascensão dos regimes totalitários.

No fictício ano de 1984, o mundo está dividido em três grandes estados: a Eurásia, a Lestásia e a Oceania. No livro, vamos acompanhar a vida de Winston Smith, que vive em Londres, território da Oceania. O poder político se manifesta através de um único Partido, que trabalha incessantemente para conseguir controlar todos os seus cidadãos, o que faz privando-os de sua liberdade. A figura emblemática que representa a falta de privacidade a que todos estavam sujeitos é o Grande Irmão, o líder do Partido, e sua frase: “Big Brother is watching you”, lembrando à população que o Partido estava sempre vigiando suas vidas.

O Estado é o detentor absoluto dos meios de comunicação, que trabalham sempre a seu favor. A população vive cercada de todos os tipos de propaganda com informações manipuladas; as cidades são cheias de cartazes impressos com a figura do Grande Irmão, que parece ganhar vida toda vez que alguém cruza o olhar com o dele; e até os membros do Partido são obrigados a se reunir no local de trabalho para assistir, diariamente, às propagandas televisivas exaltando as conquistas da Oceania nas guerras.

Mais um exemplo dessa situação pode ser percebido no trabalho que o protagonista do romance realiza. Winston trabalha no Ministério da Verdade (há mais quatro Ministérios: Ministério do Amor, Ministério da Fartura e Ministério da Paz), e sua função é exatamente a oposta do que o nome indica. Ele é responsável por modificar qualquer informação que não condiz com a realidade criada pelo partido no presente. A história é alterada e a Oceania está e sempre estará certa.

Até uma nova língua é criada. A novilíngua funciona como uma versão rudimentar do idioma utilizado anteriormente, o inglês. Ou seja, ao invés de incorporar novas palavras e expressões, ela exclui algumas que já existiam; no parecer do Partido, elas não condizem com a sua ideologia. Por meio dessa dominação pela língua, se a pessoa não pode se referir à determinada situação/objeto é porque ela/ele não existe.

Novas tecnologias da comunicação foram criadas, tais como a teletela. Elas estão presentes em todas as casas e estabelecimentos e além de servirem para transmitir as propagandas do Partido, também atuam como câmeras, capazes de filmar o que se passa na residência de cada morador. Com isso, os cidadãos ficam confinados dentro de suas próprias casas, observados pelos olhos do Grande Irmão.

Cena do filme 1984.

Cena do filme 1984.

 Os meios de comunicação e a opressão

George Orwell escreveu o livro em 1948, em meio a períodos de guerra e regimes totalitários exercendo o poder em alguns países da Europa. Como em seu livro anterior, Revolução dos bichos (Companhia das letras, 2007, 156 páginas), o autor retoma a discussão, por meio da obra de ficção, sobre o poder sem limites que o Estado é capaz de exercer sobre uma sociedade. Para esta finalidade, Orwell utilizou os meios de comunicação como mecanismos que auxiliam no controle da população. As propagandas são utilizadas de forma massiva, com o objetivo de penetrar de forma intensa na mente das pessoas; as informações são alteradas de alguma forma e a população vive cercada por uma realidade completamente inventada.

Os meios de comunicação devem ser utilizados de forma responsável por pessoas que se importem com o interesse da sociedade em geral. Deve-se levar ao debate assuntos de interesse público e de relevância para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. É preciso que nos questionemos sempre sobre o que é veiculado na mídia e busquemos nos informar a partir de diversas fontes. Só com o nosso próprio interesse em conhecer a verdade é possível deixar o mundo em boas mãos.

*

1984, o livro, é uma obra de ficção. Mas está claro que os caminhos delineados por George Orwell tomaram contornos mais definidos. Um exemplo atual é a revelação de que os Estados Unidos da América estão muito mais por dentro da vida dos seus cidadãos – e até de outros países – do que deveriam. E não podemos esquecer os conglomerados da mídia e as alianças políticas, exemplos encontrados no nosso próprio país.

Neste texto foi abordada a participação dos meios de comunicação na engrenagem totalitária que toma conta da fictícia Oceania, mas o livro ainda nos mostra muito mais.

1984 é uma leitura atemporal.

O livro ganhou duas adaptações cinematográficas: a primeira, em 1956, e a outra, em 1984. Você pode assistir à última versão gratuitamente clicando aqui.

As perdas de julho – Ariano Suassuna.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O terceiro e último post você pode conferir abaixo.

Ariano Vilar Suassuna

Imagem: informeipiau.com.br

Nascido na cidade de Nossa Senhora das Neves – hoje, João Pessoa -, na Paraíba, em 16 de junho de 1927. Durante os seus primeiro anos de vida, morou na fazenda Acahuan, no sertão. Na Revolução de 30, seu pai, o ex-governador do estado, João Suassuna, foi assassinado por motivos políticos. Depois desse triste episódio, se mudou com a família para Taperoá, no interior, onde iniciou os estudos.

Em 1938, Ariano foi para Recife, em Pernambuco. Deu continuidade aos estudos, passando por colégios consagrados do estado, como o Colégio Americano Batista, o Ginásio Pernambucano e o Colégio Oswaldo Cruz. Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito de Recife, onde fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco.

Aos 20 anos, em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. No ano seguinte, escreveu Cantam as harpas de Sião, montada pela companhia que fundou. Em 1950, veio a peça Auto de João da Cruz, que ganhou o Prêmio Martins Pena. Neste mesmo ano, Suassuna concluiu sua formação superior em direito.

Em 1955, veio o seu grande sucesso, O Auto da Compadecida. Nessa comédia, dividida em três atos, que tem como cenário a região nordestina, o autor incorporou elementos da literatura de cordel e a mistura da cultura popular com a tradição religiosa. O sucesso foi tanto que, posteriormente, a peça foi adaptada para a televisão (1999) e o cinema (2000).

No ano seguinte, se tornou professor de estética na Universidade Federal de Pernambuco e abandonou de vez sua carreira de advogado. Seguiu trabalhando com o teatro. Em 1957, teve duas peças encenadas: O Casamento Suspeitoso e O Santo e a Porca; no ano seguinte, mais duas: O Homem da Vaca e Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, que ganhou prêmio 10 anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro. Neste mesmo ano, fundou, em parceria com Hemilio Borba Filho, o Teatro Popular do Nordeste, com o objetivo de investir na qualidade das produções teatrais da região.

Era membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 32; da Academia Pernambucana de Letras, com a cadeira de número 18; e da Academia Paraibana de Letras, com a cadeira de número 35. Aposentou-se da carreira de professor em 1994, e viajou pelo Brasil dando suas famosas aulas-espetáculos.

 Ariano Suassuna faleceu no dia 23 de julho de 2014, aos 87 anos, em decorrência de um AVC hemorrágico.

Imagem: noticias.universia.com.br

As perdas de julho – Rubem Alves.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O segundo post você pode conferir abaixo.

Rubem Azevedo Alves

Fonte: joseneres.blogspot.com

Fonte: joseneres.blogspot.com

Mineiro, natural da cidade de Boa Esperança, nasceu em 15 de setembro de 1933. Em 1945, se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde deu continuidade aos estudos. Recém chegado e com forte sotaque do sul de Minas, Rubem Alves sofria gozações por parte dos colegas de classe e se transformou em um garoto solitário e sem amigos.

Na religião, encontrou conforto para a sua solidão. Em São Paulo, estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas, de 1953 a 1957. Foi bem sucedido e se tornou pastor em 1958, quando foi transferido para Lavras, no seu estado natal, exercendo essa função até 1963. Um ano depois, se casou e teve três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel.

Mudou-se para Nova York, nos EUA, para fazer mestrado em Teologia na Union Theological Seminary, durante um ano. Em 1968, já no Brasil, foi acusado de “subversivo” por sua Igreja e começou a sofrer perseguições políticas. Voltou ao exterior, dessa vez com a família, e obteve seu título de Ph.D. em filosofia pelo Princeton Theological Seminary. Sua tese de doutorado, “A Teologia da Esperança Humana”, foi considerada por ele próprio o embrião do movimento teológico denominado Teologia da Libertação.

De volta ao Brasil, deixou a Igreja Presbiteriana e dedicou-se à vida de professor. Deu aulas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (Fafi) – atual UNESP – e depois, em 1974, foi transferido para a Universidade de Campinas (SP), onde firmou sua carreira. Formou-se em psicanálise em 1984 e clinicou durante 20 anos.

Suas obras abordam as temáticas religiosa (O Enigma da Religião; O que é Religião?), teológica (Da Esperança; Creio na Ressurreição do corpo) e filosófica e educacional (A alegria de ensinar; Por uma educação romântica; Filosofia da Ciência). Também escreveu literatura infantil (A pipa e a flor; A volta do pássaro encantado) e crônicas.

Rubem Alves era membro da Academia Campinense de Letras e cidadão-honorário da cidade, que lhe presenteou com a medalha Carlos Gomes, pela sua contribuição à cultura. Ele morreu no dia 19 de julho de 2014 devido à falência múltipla de órgãos.

As perdas de julho – João Ubaldo Ribeiro.

O mês de julho foi bem triste para a literatura nacional. Em seis dias, perdemos três grandes escritores: João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, Rubem Alves, um dia depois, e Ariano Suassuna, no dia 23. Todos eles eram porta-vozes da cultura brasileira e suas obras são legados preciosos para o país. O is2books preparou três posts para relembrar a história de cada um desses homens que nos deixaram.

O primeiro post você pode conferir abaixo.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro

Fonte: onordeste.com

Baiano, nascido na Ilha de Itaparica, no dia 23 de janeiro de 1941. João Ubaldo Ribeiro passou a infância em Aracaju, Sergipe, com os pais e os dois irmãos mais novos, Sonia Maria e Manoel. Filho de pai professor, logo foi alfabetizado e começou os estudos. Em 1948, ingressou no Instituto Ipiranga e, desde então, estudou com afinco para ser sempre o primeiro de sua classe. Lia bastante e passava muitas horas na biblioteca de sua casa.

Em 1951, entrou no Colégio Estadual de Sergipe. Durante esse período, seu pai, que era chefe da Polícia Militar, começou a sofrer perseguições políticas, e toda a família teve que se mudar para Salvador. Dando continuidade aos estudos, começou a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia, em 1957. No ano seguinte, João Ubaldo Ribeiro se matriculou no curso de direito da Universidade da Bahia.

O primeiro romance só veio em 1968, Setembro não faz sentido. A partir daí, sua carreira deslanchou. Escreveu mais mais nove romances, entre eles os aclamados Sargento Getúlio, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Revelação de autor, em 1972, e Viva o povo brasileiro, na categoria Melhor Romance, em 1984. Também escreveu contos, crônicas, ensaios e literatura infantojuvenil.

Em 2008, ganhou um dos maiores prêmios literários do mundo, o Prêmio Camões, dado a escritores que tenham contribuído com o enriquecimento da língua e cultura portuguesas.

João Ubaldo Ribeiro ocupava a cadeira de número 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele faleceu no dia 18 de julho deste ano, aos 73 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar. Deixou esposa e quatro filhos.

Leituras para as férias! (Parte 2)

Já estamos na metade das férias (e como os dias passaram rápido, não acham?!), mas a meta de leitura continua grande. Dando continuidade ao post anterior, o is2books fez mais uma lista com os lançamentos de livros previstos para o mês de julho. Ainda dá tempo de ir na livraria e aproveitar as novidades do mercado editorial! O esquema é o mesmo: é só clicar na imagem/título do livro que você vai automaticamente para a página dele no skoob e pode ler a sinopse. Aproveitem!

 

DVS Editora

Os verdadeiros heróis da inovação, Matt Kingdon.

 

Editora Bertrand Brasil

21

Sangue, K. J. Wignall.

O conto do covarde, Vanessa Gebbie.

A viagem iniciática, Christian Jacq.

A cor do leite, Nell Leyshon.

 

Editora Fundamento

Lorde Domingo, Garth Nix.

Eu não sou um bocó, Barry Loser.

Bola na rede 3, Dan Freedman.

Bola na rede 5, Dan Freedman.

 

Editora Gutenberg

22

A escola do bem e do mal, Soman Chainani.

Manual de instruções do bebê, Henk Hanssen.

 

Editora Tordesilhas

Quarenta dias sem sombra, Olivier Truc.

 

Editora Valentina

Filha da ilusão, Teri Brown.

 

Fonte: Skoob.

Leituras para as férias!

As férias finalmente chegaram e eu sei que vocês estão ansiosos para pôr a leitura em dia! Que tal conhecer alguns lançamentos programados para este mês e aproveitar para renovar a sua estante?! O is2books fez um post bem organizado para os leitores de plantão. É só clicar na imagem/título do livro que você vai automaticamente para a página dele no skoob e pode ler a sinopse. Aproveitem!

 

Editora Arqueiro

1 2

O Sobrevivente, Gregg Hurwitz.

Nosferatu, Joe Hill.

Manhã de Núpcias, Lisa Kleypas.

 

Editora Galera Record

4 5 6

Petra do coração de pedra, Anna Claudia Ramos.

Assassin’s Creed – Barba Negra: O Diário Perdido, Christie Golden.

O Condado de Citrus, John Brandon.

 

Editora Globo Livros

3

Assassinato no campo de golfe, Agatha Christie.

E não sobrou nenhum, Agatha Christie.

O adversário secreto, Agatha Christie.

O assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie.

O misterioso caso de Styles, Agatha Christie.

Os cinco porquinhos, Agatha Christie.

Os relógios, Agatha Christie.

Três ratos cegos e outros contos, Agatha Christie.

 

Editora Harlequin

20

O mundo de um homem, Abby Green.

Atrás dos portões do castelo, Chatelle Shaw.

O amor de um homem, Abby Green.

Casa real de Cacciatori, Sharon Kendrick.

Rebeldia, Maya Banks.

Tentações e mentiras, Lindsay Armstrong e Michelle Conder.

Paixões inesperadas, Helen Brooks e Jennifer Hayward.

Novos caminhos, Rebecca Winters.

Joia proibida da índia, Louise Allen.

Revanche, Sarah Mayberry.

Cena de amor, Leanne Banks/Cenas de paixão, Emily McKay.

Corações Roubados, Andrea Laurence & Kat Cantrell.

Uma chance para amar, Leanne Banks.

Uma nova chance, Anne Mather/Desafio do desejo, Lynne Graham.

 

Editora Intrínseca

8

Aniquilação, Jeff Vandermeer.

Half Bad, Sally Green.

O espelho do tempo, Catherine Fisher.

Os lança-chamas, Rachel Kushner.

Fantasma, Roger Hobbs.

Cozinhar, Michael Pollan.

 

Editora Leya

9

Provocante, Madeline Hunter.

A era do ressentimento, Luiz Felipe Ponde.

A colaboração, Bem Urwand.

Superar é viver, Pedro Pimenta.

∙ Contagem regressiva, Alan Weisman.

Level 2, Lenore Appelhans.

Diário da cozinheira, Carla Pernambuco.

 

Editora Novo Conceito

11 12

Em meus pensamentos, Bella Andre.

Desafio, C. J, Redwine.

 

Editora Rocco

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De repente, uma batida na porta, Etgar Keret.

Hotéis, Maximiliano Barrientos.

A guardiã dos segredos do amor, Kate Morton.

Safári, Luís Dill.

Luva vermelha, Holly Black.

Como treinar o seu trem, Jason Carter Eaton.

Meus 15 anos, Luiza Trigo.

 

Editora Sextante

10

Sociedade com Deus, William Douglas e Rubens Teixeira.

Casamento à prova de traição, Willard F. Harley Jr.

Meninos de ouro, Daniel James Brown.

Quem é Deus, afinal? Rob Bell.

 

Editora Suma de Letras

18 19

Entre o agora e o nunca, J. A. Redmerski.

O Rei Demônio, Cinda Williams Chima.

Eu te quero, Irene Cao.

Meu inverno em Zerolândia, Paola Predicatori.

 

Fonte: Skoob.

As vantagens de (não) ser invisível.

Enquanto adolescente, muitas vezes procurei na literatura a compreensão dos conflitos que me afligiam. Foram necessárias várias buscas nas estantes das livrarias para saciar o meu desejo. Não era tão fácil como hoje ter acesso a informações sobre livros.

Já na juventude, não desisti de encontrar leituras capazes de apresentar (o que eu considerava) o real entendimento do que é ter 15, 16 e 17 anos (acredito que as idades podem variar de pessoa para pessoa). A partir das novidades do mercado editorial e com informações sobre obras publicadas anteriormente, fiz minhas apostas literárias.

Uma delas foi As vantagens de ser invisível, do escritor Stephen Chbosky. Conheci o livro por meio do filme, que estreou em 2012, formado por um elenco maravilhoso composto por Logan Lerman (Saga Percy Jackson), Emma Watson (Saga Harry Potter) e Ezra Miller (Precisamos falar sobre Kevin). Não assisti o filme nos cinemas, porque gostaria de ler o livro antes – o que só aconteceu este ano. E posso dizer que foi uma bela experiência! (:

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Charlie é um garoto de 15 anos que está prestes a começar o ensino médio. Atormentado pela morte precoce do seu melhor e único amigo, Michael, que se suicidou, ele passa por alguns episódios depressivos enquanto tenta se adaptar à realidade que o cerca. Cheio de dúvidas em relação à vida e a como vivê-la, o menino se volta para a reflexão e acaba não interagindo com o mundo ao seu redor. A história muda no dia em que ele conhece Sam e Patrick, dois veteranos que o ensinarão a ser não mais o figurante, mas o protagonista de sua própria vida.

O livro é composto de cartas enviadas por Charlie a um desconhecido, como forma de desabafo para todas as suas reflexões. Eu adoro esse formato, acho que aproxima ainda mais os personagens e os leitores. Foi o que eu senti lendo as correspondências, e creio que todo leitor vai se sentir o próprio destinatário misterioso. Além disso, é preciso ser capaz de escrever dessa forma – não é um simples contar os acontecimentos do dia. Stephen Chbosky demonstrou ter muito talento para tal.

A história se passa nos anos 1990, mas é possível se reconhecer nas mesmas situações dos personagens. Elas cruzam os nossos caminhos em algum momento da adolescência. Entre tantas, destaco algumas: a escolha da Universidade, amor e sexo, bebidas alcoólicas e drogas, homossexualidade etc. O autor se valeu das próprias experiências para escrever o livro, e por isso as discussões sobre os temas mencionados acima são tão francas e características da imaturidade dos jovens.

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O livro é cheio de referências musicais (The Smiths, The Beatles, Procol Harum, David Bowie, Nirvana etc.), literárias (To Kill a Mockingbird, The Catcher in the RyeOn the Road, The Stranger etc.) e cinematográficas (The Graduate, Harold & Maude, Dead Poets Society etc.). Eu fiz uma lista com tudo isso, para poder escutar, ler e assistir depois!

O filme ficou ótimo, e foi adaptado e dirigido pelo próprio Stephen Chbosky. A atuação do trio principal (Logan como Charlie, Ezra como Patrick e Emma como Sam) foi surpreendente, rendendo uma boa química entre os três. O filme alternou entre divertido e triste, apreensivo e delicado, e recebeu críticas positivas não só no Brasil, como no mundo todo. A trilha sonora também merece ser destacada.

Uma história honesta sobre o que é ser jovem, viver primeiras experiências e aceitar os desafios de participar (da vida). Charlie é o próprio Chbosky, mas pode ser, também, qualquer um de nós. A leitura é indicada para qualquer faixa etária. Afinal, seja jovem ou velho, o que todos nós buscamos é a capacidade de nos sentirmos infinitos.

Sobre Stephen Chbosky:

Além de escritor, é roteirista e diretor de cinema. Ficou conhecido pelo livro As vantagens de ser invisível, lançado em 1999 e que demorou 5 anos para ficar pronto. Natural de Pittsburgh, Pensilvânia, EUA.